Ao receber um novo cliente na clínica, independente da queixa, o primeiro passo é consultar o DSM 5, não com o intuito de rotular o indivíduo, mas sim para situar o fenômeno. Após verificação do DSM e validação de possíveis comorbidades, ou seja, possíveis transtornos associados, é necessária uma análise da saúde geral do cliente, identificando seu contexto atual, como por exemplo, se está sob uma situação de estresse, desgaste físico, qualidade de sono etc… É importante ampliar ainda mais o diagnóstico, compreendendo o indivíduo no seu contexto social, familiar, relacionamentos, rotinas, ou seja, conhecer o indivíduo como um todo tanto no individual quanto no coletivo.

Outro passo importante é compreender a necessidade do cliente, o que ele precisa nesse momento, ou seja conhecer o que faz ele sofrer naquele momento da vida. A psicoterapia é iniciada pela emergência, mas é importante analisar o indivíduo em sua completude. Compreendendo a queixa do cliente, é necessário estabelecer métodos para manejar a demanda. É preciso ter em mente que a queixa não constitui o indivíduo e que esta é momentânea. Devemos analisar o indivíduo como pessoa. No caso da ansiedade, sendo esta um conjunto de medos, é preciso compreender suas causas, mapear esses medos do cliente, entender suas origens e trabalhar com cada elemento dentro do processo psicoterápico. O medo faz parte da natureza humana e deve ser compreendido como uma parte e este que “não manda” no indivíduo. Tudo é parte do ser e a pessoa precisa dominar suas partes.

Na psicoterapia é imprescindível recorrer para as abordagens e metodologias da psicologia, pois independente da linha escolhida pelo terapeuta, esse não pode improvisar. Todas as escolhas do terapeuta devem levar o cliente a compreensão do fenômeno e ajudá-lo a desenvolver métodos para o alcançar autoconhecimento, autoconfiança, reequilíbrio, saúde e bem-estar.

Jamile Alves Higino
Psicóloga Clínica / Psicoterapeuta
CRP 08/10846