O diagnóstico do transtorno do comer compulsivo (TCC) ou transtorno da compulsão alimentar (TCA) é realizado através dos seguintes critérios: comer, em um período limitado de tempo (por exemplo, dentro de um período de 2 horas), uma quantidade de alimentos que é definitivamente maior do que o que a maioria das pessoas consumiria em um período de tempo semelhante em circunstâncias semelhantes. Uma sensação de falta de controle sobre o comportamento alimentar durante o episódio (a sensação de que não se pode parar de comer ou mesmo controlar o que ou o quanto se come).

Os episódios de compulsão alimentar estão associados a três (ou mais) das seguintes características: comer muito mais rápido do que o normal; comer até se sentir desconfortável; Comer grandes quantidades de alimentos quando não se sentir fisicamente com fome; Comer sozinho, porque se sente envergonhado por quanto está comendo; Sentir-se enojado, deprimido, ou muito culpado depois; Acentuado sofrimento sobre a compulsão alimentar está presente; A compulsão alimentar não está relacionada com a utilização de repetição de comportamentos compensatórios inadequados (por exemplo, vômitos e laxantes) como no caso da Bulimia Nervosa;

Segundo Doutora Sophie Deram, engenheira agrônoma e nutricionista “…está comprovado que fazer uma dieta restritiva aumenta as chances de se desenvolver compulsão alimentar. Ao cortar drasticamente a quantidade de calorias ingeridas diariamente, ou então, excluir grupos alimentares inteiros (por exemplo, em dietas que proíbem o consumo de carboidrato), a pessoa se expõe a uma restrição muito grande. Emagrece, mas não consegue manter a privação. Volta a comer tudo de novo, só que em maior quantidade (porque essa abstinência aumenta a vontade de comer) e acaba exagerando. O exagero aumenta a culpa. Sendo assim, minha dica mais importante sobre como vencer a compulsão alimentar é: esqueça as dietas restritivas. Além disso, não faça dieta por conta própria. Isso também é uma porta de entrada para se desenvolver o transtorno…”

De acordo com Eduardo Aratangy, médico psiquiatra supervisor do AMBULIM, o Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), a compulsão alimentar é o mais comum dos transtornos alimentares. Estamos falando de algo bem preocupante. Trata-se de uma doença e nada tem a ver com “chutar o balde” de vez em quando, com uma suposta fraqueza ou falta de força de vontade. É preciso saber como vencer a compulsão alimentar com muita responsabilidade, por meio do diagnóstico correto e tratamento adequado.
Se está insatisfeito com sua relação com a comida, não pense duas vezes em procurar ajuda de um nutricionista e um psicólogo.

Fonte: American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Quarta edição. Porto Alegre: Artes Médicas.